DESABAFO
O que mais tenho sentido ao longo desses dias é um sentimento de impotência. Logo eu que sempre achei que era capaz de fazer "tudo" me senti no lugar de quem não consegue fazer nada.
Esse sentimento tem mexido comigo em um nível que realmente não da pra explicar. Pra minha sorte há uns anos atrás fui abençoada com o despertar! Acordei pra vida de que eu queria ser alguém melhor e mudar, aqueles detalhes em mim que já não faziam mais sentido.
Essa jornada para alguns é um pouco mais fácil que para outros, a questão é que minha jornada tem levado muitos anos. Por um lado eu entendo que cada um leva o tempo necessário para aprender e evoluir, tudo acontece no tempo certo! Mas por outro lado existe o "agir" e essa ação só depende de você, baseado na sua coragem de tomar as iniciativas necessárias.
A verdade é que essa coragem as vezes pode ser algo muito desafiador de encontrar e isso não depende só de você querer realmente, isso vem do que você crer, e a sua crença, por mais que seus pensamentos sejam positivos, nem sempre está andando lado a lado com os seus pensamentos.
Como assim? No meu primeiro post eu pincelei como nós adultos formamos nossas crenças sobre cada coisa que vivemos. De criança absorvemos "verdades" baseadas na realidade ao nosso redor. Então resumindo, nosso eu adulto, dificilmente é realmente quem você é, pra quase todo mundo, nosso eu adulto, é uma imagem que criamos de uma pessoa ideal, com base nas nossas referências. Em outras palavras, as vezes o nosso eu, nem é o que queremos ser. E descobrir isso, possivelmente é o momento da crise, onde vc se desencontra, e para de se reconhecer.
Eu estou vivendo um momento onde estou me encontrando, já fazem uns anos que eu comecei a me sentir diferente, diferente das pessoas ao meu redor e até mesmo da minha família! Mas se reconhecer como uma pessoa diferente vem acompanhada de outros sentimentos, que no meu caso, posso exemplificar com a culpa.
Me sinto culpada diariamente há anos, por não ser o modelo de filha que eu imagino que meus pais gostariam que eu fosse, devido ao que eu criei na minha cabeça, baseada nos anos que fui educada por eles. Mesmo fazendo por onde para orgulhar eles, me sentia culpada, por não ser do jeito deles, mas sim do meu. Então pensar diferente deles é um desafio pra mim, pois mesmo sabendo que é nisso que acredito, eu brigo internamente com o que eu quero acreditar para poder provar algo para meus pais.
Isso é muito complexo! Mas eu vou tentar, porque com o acompanhamento da minha terapia, consigo ter essa visão mais clara hoje.
Quando eu nasci, meus pais me deram tudo que eles achavam que poderia ser o melhor para mim, baseado em suas próprias referências de carinho, à educação. Me formei uma adolescente com os princípios dos meus pais. Na adolescência quando comecei a me identificar comigo mesma, eu assumi uma nova persona, a Yumi, que descobri ser um nome que minha mãe nunca registrou. Como Yumi eu sentia a liberdade de ser quem eu queria ser, mas assumir sua identidade pode vir acompanhada de julgamentos, como foi a minha adolescência inteira.
Esse processo cada um encara de um jeito. Eu sempre fui livre de ser quem queria ser, mas percebo o quanto eu sempre me preocupei na verdade com o que iam pensar ou falar, principalmente meus pais.
Voltando na minha criação, meus pais sempre trabalharam muito e sempre tentavam nos encaixar em atividades que nos tornariam crianças espertas, ativas e inteligentes! Fiz ballet, dança, judô, natação, handball, kumon, inglês, espanhol, japonês.
É, acho que minha mãe exagerou um pouquinho nas atividades, essa reflexão já me mostra o quanto eu fui extremamente ativa desde pequena.
Depois de grande eu fui atrás dos meus sonhos, queria fazer dinheiro e me estabilizar, pra constituir uma família e seguir o padrão de família feliz que as pessoas estampam por aí nas redes sociais. O ponto é que hoje eu percebo o quanto fui me perdendo nesse caminho todo. Sabendo que fui estimulada desde pequena a ser uma máquina da conquista do sucesso. Mas sem me focar em onde começou quando pequena, porque isso não é sobre culpar ninguém nem nada, eu consigo começar a pontuar depois que entrei para minha área de trabalho.
Sou daquelas que cresceu acreditando que "Deus ajuda, quem cedo madruga", que tenho que batalhar muito para conseguir conquistar meu sucesso! (que nem sei se era meu mesmo). Quando realmente comecei a trabalhar, eu usei todo o conhecimento que minha mãe investiu no passado, me destaquei na minha função e garanti meus trabalhos.
Passei 28 dias do mês trabalhando, virando noites acordada quando queria me divertir, porque se não fosse assim não rolava, já que eu só trabalhava. Eu nunca soube fazer boas escolhas e honestamente nunca consegui ter uma boa estruturação para sustentar as minhas conquistas.
Eu passei anos da minha vida trabalhando muito, com poucas horas de sono, me entupindo de suplementos, dos que me faziam dormir, aos que me faziam ficar acordada. A verdade é que apoiei demais nos externos pra me ver bem.
Calma, estou com um pouco de dificuldade de formar esse pensamento... Depois de grande, me senti frustrada pela minha idade e por não ter nada e comecei uma corrida contra o tempo, de me focar nas coisas que realmente queria, mas ai veio o COVID e mudou um pouco meus planos.
Desde então eu tenho corrido contra o tempo, pra sanar os resquícios da pandemia, conseguindo realinhar meu objetivo para enfim conseguir minhas conquistas! O ponto é que tentando conquistar o mundo e acreditando que eu realmente era capaz de aguentar a jornada maluca que estabeleci pra mim no último ano, eu me perdi de tudo e meu corpo colapsou.
Hoje tendo que lidar com as consequências do estado de BURNOUT consigo ter clareza sobre outros pensamentos, quando me pego em situações desafiadoras por serem desconhecidas.
Infelizmente para com meu bar, eu tive a crise e não consegui sair ainda, não me imagino voltando pra lá ainda e me dói ver o meu projeto derretendo. Com meu emprego eu ainda estou aguentando, mas eu só fiz 2 eventos esse ano por enquanto e já me senti bastante sugada. O que está acontecendo nesse momento, é que comecei a ter crises para com meu emprego, antes de retornar, igual tive com o meu bar.
Estou MORRENDO de medo de não aguentar, porque dependo da grana que faço lá. Mas por outro lado, eu já não sou mais feliz aqui. Eu estou colapsando novamente, de pensar que tenho que aguentar um ano inteiro ainda nessa rotina maluca.
E que comecei a cogitar realmente sumir daqui. Que no meu coração é o único remédio que preciso agora, sair da cidade de são paulo. Tentando desabafar com a minha mãe, percebi que o que ainda está me prendendo aqui, é a minha responsabilidade, que aprendi com a minha família.
Estar perto deles atrapalha meu processo, porque eles pensam diferente de mim. Isso não faz menor o amor deles, apenas mostra que pensamos diferentes, como pode ser que meus filhos também pensem, por ser uma outra geração. Para minha mãe, preciso levantar a cabeça e seguir em frente, porque sou forte e a vida da dessas com a gente, pra minha mãe preciso me esforçar para não me sentir mal.
Para mim, está tudo bem se sentir mal, está tudo bem ficar triste e está tudo bem passar por isso! Porque faz parte do processo! Perceber essa diferença de pensamento me fez perceber que eu estou presa nas crenças que foram instaladas em mim, então não meto o pé, porque sou responsável e quero deixar tudo organizado pra dar certo, para estar preparada, só que as vezes, o momento certo nunca chega nessa espera.
Talvez seja hora de ligar o botãozinho do fod@-se e recomeçar mesmo, sem ninguém perto, sem opiniões, sem correr contra o tempo. talvez eu só precise recomeçar longe da minha realidade.
Estou bastante confusa nesse momento por estar me descobrindo como alguém diferente do que fui até aqui, diferente do que as pessoas ao redor são. Estou tomando as rédeas da minha vida e assumir esse controle é um desafio e tanto!
Quebrar minhas crenças para instalar novas, pra poder viver uma vida mais leve e feliz!
Nesse momento, eu posso dizer que enfim, pode ser que eu esteja aprendendo a bater minhas asas para voar :)
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HAHAHA eu preciso compartilhar, que ao terminar de escrever esse post, começou a tocar a música do LEGIÃO URBANA - Quase sem querer e eu vou deixar o trecho que me prendeu assim que terminei de escrever.... e vocês finalizam com a reflexão que quiserem!!
A minha? é que a gente precisa trabalhar nossas crenças, pra se libertar da jaula que nos prende, os nossos próprios pensamentos. A vida é muito curta pra deixar de ser feliz!
"Tenho andado distraído, Impaciente e indeciso, E ainda estou confuso, só que agora é diferente, Estou tão tranquilo e tão contente.
Quantas chances desperdicei, Quando o que eu mais queria, Era provar pra todo o mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém".
xoxo💕

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