diário #01
Viver é como navegar em um mar de emoções.
A gente acha que tem o controle, seria ótimo termos um mapa ou uma bússola, as vezes vamos pegar tempestades, as vezes vamos ver dias lindos! Vão haver passageiros que vão embarcar e desembarcar e tripulantes que vão ficar pelo tempo que for necessário. Vamos ter os mais próximos na tripulação e os que não nos descem muito. Vamos enfrentar desafios diários, porque no mar não vamos prever como vai ser o movimento das ondas e tantas outras analogias que poderiam ser feitas aqui...
eu venho tendo minha compreensão sobre o BURNOUT desde que vivenciei minha crise a partir das minhas experiências e todas as falas que mantive ao longo de um ano todo desafiador.
Existem fases dentro do ciclo burnout e pode apostar que isso sim é navegar descontrolada em um mar de emoções.
Existem sinais que o corpo te da antes de tudo, pra que vc entenda que seu limite já está chegando, pode ser com sintomas não visíveis como stress, insonia, instabilidades, ou físicos como queda de cabelo, alteração no peso, coceiras, boca seca, falta de apetite, ansiedade, esquecimento, ou qualquer outra doença boba como uma gripe, só que mais forte. O corpo fala quando nos calamos. No meu caso, um pouco antes eu caia de cama toda folga que tinha, trabalhava muito, quando podia descansar caia doente.
Existe também a aceitação da situação, acompanhada da motivação de não cair e encarar os problemas como se tudo estivesse bem, que eu costumo chamar de gaiola, é quando a gente fica preso em uma realidade maçante, mas aceitando viver aquilo, desmotivado, apenas indo, no automático, porque precisa cumprir com alguma responsabilidade em algum nível, ou financeira, ou emocional, ou familiar entre outros milhares de motivos. No meu caso, eu queria fazer meu bar dar certo pra livrar minha família do cansaço, mas me coloquei em uma super carga extremamente pesada pra isso.
E ai tem a crise, que em um dia específico vc vive, é uma junção de todos os sentimentos, a sensação de que a cabeça vai explodir, um desespero de não conseguir calar as vozes da mente, de não saber o que fazer, pra onde ir. Uma sensação de pânico, de se sentir assustada, com medo. Parecia que meus olhos iam saltar pelo meu rosto juro, foi horrível, eu me senti tão desesperada que não me senti capaz de fazer NADA! Apesar de ter tomado decisões impulsivas, que foram necessárias pra minha melhora.
Depois dela vc vive uma nova experiência eu diria, vc muda seu modo de ver diversas coisas e ai o que vem depois é sobre sua decisão.
Pra mim o processo de burnout vem acompanhado da desconexão pessoal, é a gente parar de viver por nós mesmos e começarmos a viver no piloto automático, na rotina cansativa, só trabalhar, não se divertir, isso vai nos tirando do nosso foco, do nosso objetivo, nos desconectando da nossa missão, nos desconectando de nós mesmos.
Quando a gente coloca qualquer motivo acima de nós mesmos a gente se anula por um momento e o acúmulo disso faz a gente viver na inércia, que nos deixa doente.
Na minha opinião o burnout vem acompanhado da depressão em qualquer nível que seja, porque vamos combinar que depressão existe em vários graus também e ngm nem precisa ser formado pra entender isso. Você começa a mudar seus hábitos, começa a se isolar, fica desmotivado a viver a rotina e ai a cada grau é um degrau abaixo rs.
Por isso é MUITO IMPORTANTE reconhecer que precisa de ajuda e procurar por ela, porque a depressão é uma doença auto depreciativa, ela te funda mesmo e vc precisa de ajuda de fora mesmo, não se sinta mal por isso e nem seja orgulhoso! Porque essa ajuda é MUITO IMPORTANTE para a melhora.
Depois disso, alguns acabam cedendo, outros acabam resistindo e nesse vai e vem ou a pessoa aceita viver uma vida cinza, que ela sobrevive e fim ou ela da a volta por cima, recomeçando tudo, muitas vezes do zero! Pra mim isso é reaprender a viver, é reaprender a entender a vida, ressignificando tudo. Mesmo optando por enfrentar a mesma rotina, você precisa reaprender a viver sua rotina, porque você não é mais o mesmo e se quer viver algo novo é muito assustador, porque é difícil soltar a realidade momentânea.
No meu caso, o problema está sendo lidar com o pós de forma sensata que caiba em todo lugar, na responsabilidade pessoal, financeira, versus o bem estar e leveza. É difícil ter que escolher e não deveríamos ter que fazer isso. Eu na minha rotina, estou estruturando tudo que posso para sair leve quando precisar, mas mais ainda pra ficar enquanto eu puder. Nesse meio do caminho estamos plantando meu futuro lidando com o presente e isso tem sido muito desafiador.
Viver os dias antes da crise são realmente desafiadores, vivenciar a crise é extremamente assustador e o pós é muito confuso. Confuso porque você vira algumas chaves, entende algumas coisas de forma diferente, compreende situações que não deveria se meter por amor próprio, mas repete os erros por medo de mudar. É extremamente dolorido você enxergar a ação necessária e não conseguir agir para tal e pior que isso é não saber controlar o vem pela frente.
Meu emocional tem sido um irmão rebelde ao meu lado diariamente, tem dias que está fofo e comportado, mas tem dias que é Deus no céu e meu emocional na terra, gatilhos que me pegam pegam de verdade, não sei mais controlar minhas emoções, quando fico brava fico brava! e preciso de um tempo pra me recuperar, o que nem sempre tenho, por estar entre outras pessoas. Isso me leva ao isolamento, porque eu não quero passar vergonha na frente dos outros por não conseguir me controlar e ainda ter que ouvir julgamentos quando preciso ser acolhida.
Navegar nesse mar de emoções em meio a várias tempestades tem sido muito desafiador, mas no fim das contas estou entendendo que pra acalmar essas águas eu preciso dominar realmente minha mente, porque no fim das contas é tudo sobre ela. Enquanto eu não silenciar a minha mente e me reconectar eu vou continuar tendo as crises que tenho tido e vou continuar instável.

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